Reflexões acadêmicas de uma aluna às vezes muiiiiitttttooooo indisciplinada...
Na Grécia Antiga, utilizava-se o vinho misturado à água na discussão de um tema durante os simpósios das festas e banquetes. A quantidade de água acrescida ao vinho determinava o quanto se discutiria: quanto mais diluído, maior seria o tempo dedicado a filosofar. (hheheeh vamos ao happys!!!)
Na mitologia romana, Dionísio é o equivalente de Baco, deus do vinho. Ao lembrarmos que Dionísio também é considerado o deus protetor do teatro, no qual a tragédia propicia a purga, a purificação das almas através da catarse, tende-se a supor que Dionísio (prática) conduz Apolo (teoria) ou vice-versa?; o primeiro representa a emoção, os impulsos humanos, a embriaguez mística; o segundo representa a forma, a medida e a harmonia.
Quero transpor-me como uma bacante, selvagem e endoidecida, seguidora do culto de Dionísio dialogando com meu lado apolíneo do estudo e do método. Entrego meu corpo, alma e vida ao deus Dionísio.
Faço 32 anos (04/03). Confesso que entrar na casa dos 30 foi um grande susto do qual ainda me recupero dois anos depois. Um pouco por questão de vaidade, e muito mais por assombro de deparar-me com o tempo que anda veloz.
Há pouco: doze anos atrás, eu tinha 20 anos, ouvia e cantava Legião Urbana em um quarto de pensionato, era estudante de jornalismo e visualizava a mulher maravilhosa que eu seria para muito longe;
As Conquistas.
Quando fiz 30 anos prometi a mim mesma que deixaria para trás as minhas infantilidades mais mesquinhas, alguns crimes doces na adolescência e aos 20 anos. Estou me limpando ainda,...
O Leandro, meu namorado e parceiro, fez uma analogia bastante interessante entre a foto acima e estar com 30 anos:
Estar aos 30 é já ter bebido um pouco do café, menos do que a metade. É ainda ter a oportunidade de saborear a bala de doce de leite, não qualquer bala, e sim, a bala. É uma foto com nuances bem coloridas.
Nasci para a maturidade. Birrinhas e choros auto-piedosos são roupas velhas que já não servem mais.
Algo mudou. Larama percebe a metamorfose dentro de si. Já consegue trabalhar com sentimentos como raiva, já não chora toda coitadinha. Antes, sentia-se uma criança em corpo adulto. Hoje, sente-se adulta. Ao tropeçar, xinga, pragueja e depois vai tomar um café; ainda chora, mas já se afoga bem menos.
Cachorros são clown, cantiga de roda. Gatos são tragédia grega, tango argentino. Teatro é gato, cinema é cachorro. Woody Allen é gato, Charles Chaplin é cachorro. O gato apresenta a graça do conflito e o cachorro o olhar e o riso triste dos desajustados - à margem. Me acho em ambos os lados. Mas... (Sempre tem um mas)... Minha relação com os gatos vai longe..., é uma questão de intimidade, de vínculo, da sensação confortável em se olhar no espelho e enxergar o velho rosto conhecido.
Gatos com motor ron-ron, quando velhos, vomitam pela casa, fazem xixi fora dos pipi-cats e com graça maçarocam o tapete recém-lavado pela sua natureza higiênica. Dá para ficar bravo?
Vez ou outra, de tão fitoterápicos, gatos procuram folhas para acalmar a dor no estômago.
São curiosos e participam das conversas dos donos em seus colos, em cima de mesas, camas, sofás...
Ao ver o dono chegar fatigado em casa e ir deitar no sofá, vão direto ao colo.
Gatos sempre escolhem um da casa como seu preferido.
Gatos possuem um nome jellicle.
Só quem nunca teve um gato como única testemunha para doces crimes, ou quem nunca foi surpreendido, aos prantos, por uma carinha marrom com dois olhos azuis no meio, não entende tal monografia de arte produzida pela natureza que são os gatos.
Em homenagem a Sofia, Nina, Monalisa Helena, Raulzito, Lepapa, Fellini Alberto, Spock Smith, Pamela Pamer, Albertaas e os saudosos Bigurrilho, Dino, Mimi, Sylvia, Nekro, Chatran e tantos outros da minha história pessoal, inauguro neste intrépido blog a sessão Gatos no Cinema.
Gatos são adoráveis e muitos cineastas acham o mesmo.
"O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precisa de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza, aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato." - Ode ao Gato, Artur da Távola.
Filme: Olhos de Gato (Cat's Eye), Lewis Teague - baseado na obra de Stephen King
Larama dos olhos que eram tristes, tinha um grito tão forte e por isso era muda. Estava tão desacreditada de si, que por meses só respirou. Não sabia o que fazer a Larama, Larama nada fazia, ... !?.,;
Sua rotina resumia-se em acordar, nadar, tentar ler, trabalhar, dormir, comer.
Aos 20 anos. Aos exatos 20 anos, nem 19 e nem 21 anos. Aos 20 anos, Larama acreditava que iria dominar o mundo com letras de música que nunca chegaram a receber uma melodia e por um ano foi vocalista de uma banda que durou... nem um mês. Assim são nossas lembranças.
Aos 20 mais alguns anos, 27... 29... 25... 23... achava-se irônica: Larama, que guardava o mundo dentro do coração e que iria dominar o UNIVERSO, o que não é tarefa fácil!, estava totalmente dominada.
Um copo vazio.
Senhores, senhoras, o filme ainda não terminou, apesar da transição.
A paisagem lá fora mudou e Larama vai mudando com ela.
Hoje, vejo Larama em um ringue, face a face com a vida. Uma olhando nos olhos da outra, esperando quem derruba quem primeiro.
- Larama!! A vida é muito mais forte do que você!! Esta mesma vida que para alguns é mais implacável do que a morte!
Silêncio -------------
Olhos de Larama, boca de Larama: - Não faz mal, no meio de uma poeira de estrelas sou um pedregulho teimoso com ares de diamante bruto!!!