sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Vida é Sonho

Segismundo julgou que a justiça para ele nasce da inteligência. Foi preciso deixar a ira de lado.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O resto é silêncio

A estrada da vida

Hoje, acredito na beleza do ridículo, do incompleto, do inadequado. Super-homem não existe e se existir deve ser bastante chato. Acredito no adulto que mesmo depois de perdas ainda sorri e brinca.

Atriz Giulietta Masina

domingo, 16 de maio de 2010

Ainda estou nas nuvens

Finalmente, estou me deixando conduzir pelo vento. Às vezes me sinto etérea.


Sem Palavras

Ontem fui uma dessas andorinhas.

sábado, 3 de abril de 2010

O retorno

Marcel Marceau


Voltei!!!

Neste período realizei um curta-metragem: http://curtaolhosdegato.blogspot.com/
E como que embalada por uma força maior, mergulho no estudo do clown.
Para ajudar no parto de Alecrim Scarlett, minha palhacinha, entro em processo de montagem com O Pequeno Príncipe - o desafio é largar o casaco da vaidade e deixar que o vento me conduza.

Estou trocando de pele.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Conversas da Távola, parte 3


“O teatro realizado com seriedade e ética sempre levará à transformação social”, argumenta Stanislavski. “Então o senhor aponta para um teatro épico, Sr. Brecht?”

“Narrativo. Um fórum de discussões das complicadas relações humanas dentro do sistema capitalista.”

“O ator cria o personagem como extensão de sua própria personalidade”, diz, inserindo-se na conversa, o diretor polonês Jerzy Grotowski, com a inscrição Encenador (1933- 1999).
“Em meu teatro-laboratório, trabalhava com um pequeno grupo de atores em tempo integral e exigia deles absoluta concentração na pesquisa. Penso o ator como possibilidade de tensão levada ao extremo. O ator deve pensar com o corpo.”

“Como?”, perguntam os Srs. Stanislavski, Meyerhold, Gordon Craig e Brecht.

“Através do trabalho corporal.”

“Biomecânica”, diz Meyerhold.

“Então”, continua Grotowski, “através do trabalho corporal e de sua exaustão, que leva ao transe, o ator transcende suas possibilidades psíquicas e físicas, atingindo um ponto em que desaprende para atingir o ato criador. No despojamento físico e psíquico, o ator elimina suas resistências até atingir um impulso puro. Uma autopenetração que revela e sacrifica o mais íntimo de si mesmo.”

“A dança!”, grita o homem primitivo.

Todos os doze cavalheiros sorriem, com carinho, para o homem primitivo.

“Percorrido o processo de pesquisa física e psíquica, encontraremos o teatro pobre: sem cenários, materiais cênicos, efeitos técnicos, iluminação, maquiagem, ou seja, o teatro em sua essência, contando com o corpo e seu espaço, apto ao som, ritmo e movimento. Este teatro deve ser voltado a um público específico, qualitativo e não quantitativo. Um grupo pequeno para que haja uma integração em forma de culto”, finaliza o Sr. Grotowski.

“Santificação!”, clama o homem primitivo.

“Levei às últimas consequências as ações físicas elaboradas por você, Stan.”

“No meu livro póstumo ‘A composição do personagem’, há o cuidado de sistematizar o treinamento técnico exterior do comediante através de recursos físicos ligados ao trabalho vocal e corporal. Também em ‘A criação de um papel’, tive a oportunidade de aplicar meu método em comédia, drama e tragédia”, diz Stanislavski.

“Sim, e quantos não disseram que o seu método só se aplicaria ao teatro sério?... O conhecimento é tudo”, diz Brecht.

“O ator deve seguir ao abandono das forças instintivas para ampliar os limites da realidade”, reflete em voz alta o francês Antonin Artaud, com a inscrição Ator, encenador, poeta, dramaturgo (1896-1948). “O espetáculo deve salvar o homem. O ator como um atleta afetivo, através do sopro e da respiração, penetra o corpo do personagem, dando-lhe vida. O ator não deve temer o ridículo de assumir gestos patéticos, o grito é seu veículo mais expressivo. Através de sons inabituais e inumanos, nos aproximamos de estados emocionais elementares.” E, olhando para o homem primitivo à mesa, continua: “Na retomada do homem primitivo chego à essência teatral.”

“Teatro da Crueldade”, dizem juntos o inglês Peter Brook, Diretor de teatro e cinema (1925-), e o italiano Eugenio Barba, Diretor de teatro (1936-), ambos influenciados pela teoria de Artaud. A eles junta-se o americano Joseph Chaikin, Encenador e dramaturgo (1935-2003).
“O teatro é um encontro entre o ator e o espectador, assim como a transformação instantânea de um personagem noutro”, diz Chaikin.

“Aproveito os exercícios da biomecânica, mesmo os mais perigosos. O importante não é a execução do trabalho físico, mas as motivações e os impulsos que levam o corpo a reagir de determinada forma. Gritos e descontrole físicos não são criativos, pois não surgem da disciplina de pesquisa”, argumenta Eugenio Barba. Olhando para o Sr. Grotowski, acrescenta: “Admiro e utilizo a ideia do teatro pobre.”

“Gosto de suas ideias, Artaud!”, diz Peter Brook.

E continua Peter Brook: “Busco em minha pesquisa uma linguagem de sons e gritos que alcancem uma palavra-grito de impacto integrada ao movimento corporal.” Enquanto fala, olha para Artaud. “Você, Artaud, influenciou-me fortemente na utilização de cores expressivas em seus exercícios e espetáculos. Com isso, com elementos de violência e crueldade, busquei estabelecer novas relações entre ator-autor e público. Sempre busquei reformular os moldes verbais de meus atores, como, por exemplo, em inúmeras encenações shakespearianas, e em uma criação coletiva sobre a Guerra do Vietnã.”

“Ah, estudei e experimentei muito de vocês, Stan e Brecht”, finaliza Brook.

“Huumm, o ator pode ser um não-ator: um estudante, um operário, qualquer pessoa que queira desentorpecer o corpo alienado pelo cotidiano de uma sociedade capitalista. O ato de se ver em ação ou de interpretar o outro é próprio do ser humano. Através do sistema coringa, o ator mescla vários personagens, ora trabalhando a empatia stanislavskiana, ora quebrando a continuidade da ação, como no seu teatro épico, Brecht.”

Brecht olha para seu novo interlocutor, interessado.

“O Teatro do Oprimido chama o espectador à atividade cênica, tornando-o protagonista de um teatro que deve ser interpretado socialmente. Um teatro dialético. O ator retorna às origens quando torna seu espetáculo um ritual, onde o espectador-ator comunga com ele, o mesmo processo. Todos os seres humanos são atores, mas alguns profissionalizam-se”, diz o brasileiro Augusto Boal, inscrição Encenador, dramaturgo e ensaísta (1931-2009).

Enquanto a conversa na távola chega ao fim, o homem primitivo, travestido de xamã, dança mascarado ao redor da mesa.