segunda-feira, 4 de maio de 2009

Feliz Aniversário Thais!!!



Amo muito minha mãe e somos muito amigas.

Mas confesso que quando eu era criança imaginava que a minha tia Thais fosse a minha outra mãe, talvez pela semelhança física e de personalidade. A referência que eu, criança, tenho dela, é de uma rebeldia consciente e disponibilidade para viver a vida.
Sempre admirei muito sua facilidade de comunicação e de criar novos amigos.

Adoro quando o trio de comadres: minha mãe, eu e Thais, encontra-se na chácara: é só café, conversas e risadas até alta madrugada.

Um momento de viver a vida a ser recortado... pendurado na parede.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

De taturanas pretas, vermelhas e verdes... ou Como Sofia descobriu o teatro, parte 1


A rotina de sua vida consistia em brincar, dormir, caçar, fazer gracinhas para os donos e, nos
últimos tempos... pensar. Encontrava-se na idade de um ano e meio, o equivalente mais ou menos aos 17 anos dos humanos. Uma fase de porquês, de autodescoberta através dos amigos.
Assim encontrava-se Sofia, uma gatinha meio siamesa, meio rajada cinza claro.
No quintal da chácara onde morava, já havia se relacionado com um grupo de taturanas pretas, de uma religiosidade radical, conservadoras ao extremo; por um tempo, transmutou-se em taturanas pretas, mas acabou afastando-se, cansada de todo aquele extremismo, e também porque partiram sem se despedir.
Logo depois, Sofia aproximou-se do grupo das taturanas vermelhas, alegres, com ares de vanguarda, sempre dançando, cantando embriagadas do suco de uva que induziam Sofia a pegar “emprestado” dos donos; mas a gatinha cansou-se das taturanas vermelhas, que também partiram sem despedidas.
Na procura por conhecer-se através das relações de amizade, Sofia não conseguia criar um
vínculo que a permitisse identificar seus anseios e sua essência. E, no distanciamento das partidas, não conseguia criar uma consciência de si mesma.

sábado, 25 de abril de 2009

Reinvenção





Reinvenção, de Cecília Meireles


A vida só é possível reinventada.
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas,

pelas folhas...

Ah! tudo bolhas

que vem de fundas piscinas de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.


Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços.

Projeto-me por espaços cheios da tua Figura.

Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...

Só — no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me leva.

Só — na treva, fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.


domingo, 19 de abril de 2009

Já chorei com Tarsila


Assim como o Raul Seixas, já tive meu Baú da Cilla.
Inicialmente foi uma gaveta de armário, depois transformou-se em uma cesta de vime. Hoje é meu blog: onde reconstituo minhas memórias, simulacro minha persona e entendo meu "eu".

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A estória de Raul Seixas Amaral - Raulzito, parte 2


Enquanto pedalava, o coração batia desgovernado, não pelo exercício físico, mas muito mais pela emoção de estar pedalando com o pai - momentos raros - rumo à casa de sua tia. O propósito da viagem era ver uma ninhada de gatinhos e quem sabe escolher um deles.

O primeiro encontro

Uma gata, Dona Mimi, deitada em forma de U, cinco ou seis gatinhos, às vezes mamando, outras vezes passando, rolando, um em cima do outro, na disputa pelo melhor leitinho. O áudio é de um ronronar. Eram... dois gatinhos pretos, dois rajados e dois siamesinhos: um cabeçudinho e forte e o outro, magrinho e fraquinho.

Quando ela, garota de 16 anos, aproximou os dedos encantados sentido aos gatinhos, o siamês cabeçudinho abraçou o irmão siamês fraquinho e bufou para ela protegendo o irmão.

A garota tímida, ameaçada por aquele bebê gato, escolheu justamente o próprio - o cabeçudinho - para levar consigo. Houve o tempo de espera: uma semana. Durante este tempo, o siamês fraquinho faleceu. E, em um sábado de 1993, o gato cabeçudinho chegava à casa da garota, sendo batizado Raul Seixas Amaral, vulgo Raulzito, também conhecido como cabeça de cebola.


Um quadro na memória - Na passagem do ano de 1993 para 1994
Feliz, ela arrumava as malas para ir passar o Ano Novo na casa dos avós em Taubaté. À noite, tudo estava pronto e era só levar as malas para o carro, mas alguém mais "esperto", antes que pudessem colocar as malas, bateu feio no carro de seu pai: por sorte não feriu ninguém, mas impediu que viajassem.

Ela ficou muito triste, de uma tristeza maior e mais profunda do que o fato da batida do carro poderia gerar. Era como se um de seus sentidos, que não a visão, não a audição, não o olfato, nem tampouco o tato, pudessem lhe trazer certa informação. Aquele seria o último Ano Novo, ano bom, ano de saúde de seu avô: aquele homem bacana que chorou quando ela nasceu, quando ela, nenê humano, recém-nascida, agarrou o seu dedo dizendo na língua dos bebês: - Oi, e aí cara!! Maneiro!!!


Em 1995 faleceu seu avô materno.


...


Pensando estar sozinha, chorando em seu quarto, ela olha para a porta e dois olhos azuis, vesgos e interrogativos a encaravam. O diálogo olho-a-olho deve ter durado uns 20 minutos, finalizando-se no colo da garota. Foi a primeira conversa longa, de amigos, que teve com Raulzito.
Hoje, 2009. Raulzito tem a mesma idade da garota tímida, 16 anos. Ao contrário de um jovem humano de 16 anos, os olhos azuis do pequeno cabeçudo estão ainda vivos de alma, porém envelhecidos de físico. A mãe da garota jura que o Sr. Cabeça de Cebola anda um pouco caduco e todos tomam muito cuidado ao pegá-lo para não machucar seus vividos ossos. Dos cinco irmãos gatos de Larama, Raulzito, o mais velho, é de longe o mais traquinas.

Em 2007 faleceu de morte natural Dona Mimi, mãe do pequeno Raul. Ao lembrar da respeitável senhora felina, a garota que hoje é uma mulher agradece àquela barriguinha peluda que criou seu amigo.

Em 1994, Raulzito, filho único, necessitava de um irmãozinho. É quando chega Lepapa...








sábado, 11 de abril de 2009

Asas do Desejo

"Quando a criança era criança perguntava, por que eu sou eu e não sou você.

A criança quando era criança perguntava, por que eu estou aqui e não ali."

Eu ainda me pergunto... Se eu tivesse nascido em outro país e tivesse tido uma outra estória eu seria eu?

segunda-feira, 30 de março de 2009

Oração à Grande Mãe


Eu sou a Deusa, eu sou a bruxa.
Eu sou aquela que ilumina e protege.
O poder da Grande Mãe está dentro de mim.
Que a Grande Mãe -a Senhora do Norte encha de frutos a árvore da minha vida.
Grande Deusa que habita dentro de mim santifica cada palavra minha e cada ato meu.

Afasta cada sombra de minha vida.
Ilumina todas as minhas estações.
Torna-me forte na dor, torna-me bela no amor.
Que teu nome e teu poder sejam o meu nome e o meu poder.
Assim sempre foi, assim sempre será.