segunda-feira, 13 de abril de 2009

A estória de Raul Seixas Amaral - Raulzito, parte 2


Enquanto pedalava, o coração batia desgovernado, não pelo exercício físico, mas muito mais pela emoção de estar pedalando com o pai - momentos raros - rumo à casa de sua tia. O propósito da viagem era ver uma ninhada de gatinhos e quem sabe escolher um deles.

O primeiro encontro

Uma gata, Dona Mimi, deitada em forma de U, cinco ou seis gatinhos, às vezes mamando, outras vezes passando, rolando, um em cima do outro, na disputa pelo melhor leitinho. O áudio é de um ronronar. Eram... dois gatinhos pretos, dois rajados e dois siamesinhos: um cabeçudinho e forte e o outro, magrinho e fraquinho.

Quando ela, garota de 16 anos, aproximou os dedos encantados sentido aos gatinhos, o siamês cabeçudinho abraçou o irmão siamês fraquinho e bufou para ela protegendo o irmão.

A garota tímida, ameaçada por aquele bebê gato, escolheu justamente o próprio - o cabeçudinho - para levar consigo. Houve o tempo de espera: uma semana. Durante este tempo, o siamês fraquinho faleceu. E, em um sábado de 1993, o gato cabeçudinho chegava à casa da garota, sendo batizado Raul Seixas Amaral, vulgo Raulzito, também conhecido como cabeça de cebola.


Um quadro na memória - Na passagem do ano de 1993 para 1994
Feliz, ela arrumava as malas para ir passar o Ano Novo na casa dos avós em Taubaté. À noite, tudo estava pronto e era só levar as malas para o carro, mas alguém mais "esperto", antes que pudessem colocar as malas, bateu feio no carro de seu pai: por sorte não feriu ninguém, mas impediu que viajassem.

Ela ficou muito triste, de uma tristeza maior e mais profunda do que o fato da batida do carro poderia gerar. Era como se um de seus sentidos, que não a visão, não a audição, não o olfato, nem tampouco o tato, pudessem lhe trazer certa informação. Aquele seria o último Ano Novo, ano bom, ano de saúde de seu avô: aquele homem bacana que chorou quando ela nasceu, quando ela, nenê humano, recém-nascida, agarrou o seu dedo dizendo na língua dos bebês: - Oi, e aí cara!! Maneiro!!!


Em 1995 faleceu seu avô materno.


...


Pensando estar sozinha, chorando em seu quarto, ela olha para a porta e dois olhos azuis, vesgos e interrogativos a encaravam. O diálogo olho-a-olho deve ter durado uns 20 minutos, finalizando-se no colo da garota. Foi a primeira conversa longa, de amigos, que teve com Raulzito.
Hoje, 2009. Raulzito tem a mesma idade da garota tímida, 16 anos. Ao contrário de um jovem humano de 16 anos, os olhos azuis do pequeno cabeçudo estão ainda vivos de alma, porém envelhecidos de físico. A mãe da garota jura que o Sr. Cabeça de Cebola anda um pouco caduco e todos tomam muito cuidado ao pegá-lo para não machucar seus vividos ossos. Dos cinco irmãos gatos de Larama, Raulzito, o mais velho, é de longe o mais traquinas.

Em 2007 faleceu de morte natural Dona Mimi, mãe do pequeno Raul. Ao lembrar da respeitável senhora felina, a garota que hoje é uma mulher agradece àquela barriguinha peluda que criou seu amigo.

Em 1994, Raulzito, filho único, necessitava de um irmãozinho. É quando chega Lepapa...








sábado, 11 de abril de 2009

Asas do Desejo

"Quando a criança era criança perguntava, por que eu sou eu e não sou você.

A criança quando era criança perguntava, por que eu estou aqui e não ali."

Eu ainda me pergunto... Se eu tivesse nascido em outro país e tivesse tido uma outra estória eu seria eu?

segunda-feira, 30 de março de 2009

Oração à Grande Mãe


Eu sou a Deusa, eu sou a bruxa.
Eu sou aquela que ilumina e protege.
O poder da Grande Mãe está dentro de mim.
Que a Grande Mãe -a Senhora do Norte encha de frutos a árvore da minha vida.
Grande Deusa que habita dentro de mim santifica cada palavra minha e cada ato meu.

Afasta cada sombra de minha vida.
Ilumina todas as minhas estações.
Torna-me forte na dor, torna-me bela no amor.
Que teu nome e teu poder sejam o meu nome e o meu poder.
Assim sempre foi, assim sempre será.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Vapor Barato

Fui e ainda sou um vapor barato.


terça-feira, 17 de março de 2009

A estória de Raul Seixas Amaral - Raulzito, parte 1


Durante muito tempo, Larama acreditou que tivera uma violentíssima depressão aos 15 anos de idade. Apenas na maturidade, ao fazer teatro, analisou toda a sua experiência como um grande exercício cênico.
As peças do mosaico de Larama eram: coturnos; olhos e boca maquiados de preto; cabelos curtos; saia ou bermuda escuros; blusas de manga comprida sob camisetas estampadas com o rosto de Raul Seixas; ou o uniforme do colégio transmutado mais ou menos desse jeito.
A sua plasticidade era uma mistura de heavy metal e rock liquidificados com uma personagem de Tim Burton.

Quando, por algum motivo, Larama desejava mostrar-se agressiva, comprava um maço de cigarros Plaza, o qual segurava na mão como ornamento, sem nunca fumá-lo, e em seguida colocava em um dos dedos um anel de caveira, que sempre retirava para escrever.
Escrevia como respirava, expressando idéias em folhas de caderno, na bermuda rasgada, nas paredes do quarto;...

Seu esporte favorito era o exercício dos sentimentos. Nunca agrediu alguém na prática e o Amor, praticava-o platonicamente, interessando-se mais pelo sentimento do que pela correspondência do objeto amado.
Vivendo em um mundo particular, elegeu nesta época três musos inspiradores: 1. O moço que usava óculos e que trabalhava no shopping da cidade; 2. Um colega de classe e 3. Um ator de cinema que interpretara Chopin. O primeiro rendeu-lhe muitas poesias; o segundo, ao iniciar um namoro com uma outra colega de classe, proporcionou-lhe uma febre de 40 graus durante uma semana. E o ator? O ator foi personagem de muitos de seus sonhos pessoais.

Diante de tal quadro clínico, a família de Larama, em polvorosa, decidiu que era a hora da adolescente procurar um psicólogo; em seguida, a psicólog(a) definiu que era o momento de Larama, filha única, ter um bichinho de estimação, contrariando a mãe da garota que sentia arrepios ao ouvir as palavras: cachorrinho e gatinho.

Foto: Winona Ryder, filme Beetlejuice (Os Fantasmas se Divertem)


O primeiro encontro entre Larama e Raulzito (EM BREVE!!!)

quarta-feira, 11 de março de 2009

No caminho das bacantes...

Reflexões acadêmicas de uma aluna às vezes muiiiiitttttooooo indisciplinada...

Na Grécia Antiga, utilizava-se o vinho misturado à água na discussão de um tema durante os simpósios das festas e banquetes. A quantidade de água acrescida ao vinho determinava o quanto se discutiria: quanto mais diluído, maior seria o tempo dedicado a filosofar. (hheheeh vamos ao happys!!!)

Na mitologia romana, Dionísio é o equivalente de Baco, deus do vinho. Ao lembrarmos que Dionísio também é considerado o deus protetor do teatro, no qual a tragédia propicia a purga, a purificação das almas através da catarse, tende-se a supor que Dionísio (prática) conduz Apolo (teoria) ou vice-versa?; o primeiro representa a emoção, os impulsos humanos, a embriaguez mística; o segundo representa a forma, a medida e a harmonia.
Quero transpor-me como uma bacante, selvagem e endoidecida, seguidora do culto de Dionísio dialogando com meu lado apolíneo do estudo e do método. Entrego meu corpo, alma e vida ao deus Dionísio.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Um gole de café é um gole de café, um pedaço de bolo é um pedaço de bolo. Os dois juntos são uma Comemoração!!!

Faço 32 anos (04/03). Confesso que entrar na casa dos 30 foi um grande susto do qual ainda me recupero dois anos depois. Um pouco por questão de vaidade, e muito mais por assombro de deparar-me com o tempo que anda veloz.

Há pouco: doze anos atrás, eu tinha 20 anos, ouvia e cantava Legião Urbana em um quarto de pensionato, era estudante de jornalismo e visualizava a mulher maravilhosa que eu seria para muito longe;

As Conquistas.

Quando fiz 30 anos prometi a mim mesma que deixaria para trás as minhas infantilidades mais mesquinhas, alguns crimes doces na adolescência e aos 20 anos. Estou me limpando ainda,...

O Leandro, meu namorado e parceiro, fez uma analogia bastante interessante entre a foto acima e estar com 30 anos:

Estar aos 30 é já ter bebido um pouco do café, menos do que a metade. É ainda ter a oportunidade de saborear a bala de doce de leite, não qualquer bala, e sim, a bala. É uma foto com nuances bem coloridas.

Nasci para a maturidade. Birrinhas e choros auto-piedosos são roupas velhas que já não servem mais.


Algo mudou. Larama percebe a metamorfose dentro de si. Já consegue trabalhar com sentimentos como raiva, já não chora toda coitadinha. Antes, sentia-se uma criança em corpo adulto. Hoje, sente-se adulta. Ao tropeçar, xinga, pragueja e depois vai tomar um café; ainda chora, mas já se afoga bem menos.



Eu Quero Comer a Vida!!!!